Luanda – Em meio a especulações sobre um eventual terceiro mandato de João Lourenço e até possíveis mudanças constitucionais, cresce a pressão internacional sobre figuras do antigo aparelho de Estado.
Segundo o Africa Intelligence, Washington avalia aplicar a Lei Magnitsky contra o ex-vice-presidente Manuel Vicente (2012-2017), hoje residente nos Emirados Árabes Unidos.
Aproximação de Lourenço a Trump
Na Cúpula Empresarial EUA-África, em junho, João Lourenço solicitou apoio ao governo de Donald Trump para conter Vicente, que dispõe de vastos recursos financeiros no Dubai.
Após encontros entre Luanda e o encarregado de negócios norte-americano em Angola, Noah Zaring, Trump deu luz verde para uma investigação ativa conduzida pelo Tesouro e pelo Departamento de Estado.
Importância Estratégica
A cooperação insere-se no contexto do Corredor do Lobito, uma ferrovia de 1.700 km que ligará Angola ao sudeste da RDC para escoamento de minerais rumo à Europa e aos EUA.
Um dos financiadores do projeto é a DFC (Corporação Financeira para o Desenvolvimento Internacional), reforçando a importância estratégica de Angola para Washington.
Fontes ligadas ao processo indicam que Trump está disposto a usar a Lei Magnitsky como instrumento de pressão. Exemplo disso foi a recente sanção aplicada ao juiz brasileiro Alexandre de Moraes, vista em Brasília como retaliação ao governo Lula.
Pedido Formal de Sanções
Em 2020, a Transparência Internacional e a ONG Amigos de Angola, dirigida por Florindo Chivucute, enviaram ao Departamento de Estado um dossiê de 38 páginas solicitando a aplicação da Lei Magnitsky a Vicente.
As equipas do Tesouro e do Departamento de Estado analisam agora a possibilidade de impor sanções financeiras específicas, que poderiam incluir congelamento de ativos e bloqueio de transações internacionais.
Perfil de Manuel Vicente
Ex-CEO da Sonangol (1999-2012);
Vice-presidente de Angola (2012-2017);
Protegido politicamente por João Lourenço até 2022, com direito a imunidade judicial;
Escapou a um processo de corrupção em Portugal em 2018, episódio que gerou crise diplomática entre Lisboa e Luanda.
Aos 69 anos, Vicente reside nos Emirados Árabes Unidos há quase uma década e é visto como conselheiro informal de Lourenço em questões petrolíferas.
📌 Fonte: Angola24Horas / Africa Intelligence
