Líder dos Táxis Libertado Após Detenção Ilegal, Mas Sai Debilitado e Traumatizado

 



Luanda – Pedro Fernandes, conhecido como “Mavinga”, um dos seis líderes das associações de táxis em Angola, foi libertado nesta quarta-feira (20.08), após quase um mês de prisão considerada ilegal. Detido na sequência dos protestos contra o aumento do preço dos combustíveis, o dirigente saiu debilitado, traumatizado e receoso de voltar à exposição pública.


Motivos da Libertação

Segundo o advogado Celestino Nobre, a libertação deveu-se à ausência de mandado judicial, ao tempo excessivo de prisão e à falta de provas.
O jurista destacou ainda que Mavinga não foi apresentado ao juiz de garantias logo após a detenção, como manda a lei.

“Não existem indícios capazes de comprovar que os nossos constituintes estejam implicados nos factos ocorridos nos dias 28, 29 e 30 de julho”, afirmou o advogado.


Estado de Saúde Preocupante

De acordo com a defesa, Mavinga encontra-se debilitado e apresenta sinais de doença.
Na última terça-feira, queixou-se de frio intenso e suspeita-se que possa estar com paludismo, além de outros sintomas de mal-estar.

“Está claramente debilitado e traumatizado. Desenvolveu também dificuldades de expressão, fruto do trauma da prisão”, acrescentou Celestino Nobre.


Silêncio e Trauma

Embora libertado, o líder associativista optou por não falar à imprensa.
Segundo o advogado, essa reserva reflete um trauma psicológico e também um sentimento de intimidação.

“Funcionou como um mecanismo de medo. Ele prefere manter-se em extrema reserva, sobretudo porque os outros ainda estão presos”, explicou.


Processo com Dúvidas

Questionado sobre a natureza política do caso, Celestino Nobre afirma que, até ao momento, o processo tem caráter jurídico. Contudo, alertou que a manutenção de detidos sem provas pode demonstrar motivações políticas.


Próximos Passos

A defesa prepara agora um pedido de habeas corpus para os restantes cooperativistas que continuam presos.

“Ainda que a justiça falhe aqui, em Berlim também há um juiz. Se não encontrarmos justiça em Angola, procuraremos em outras instâncias”, concluiu o advogado.


📌 Fonte: DW África

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